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Poço dos Negros, Lisboa. Fevereiro de 1969.
Salazar está vivo, mas claramente enfraquecido após ter sofrido uma queda e um acidente vascular cerebral. No Palácio de São Bento, vive um quotidiano forjado, cativo numa gaiola de mentiras que tanto o iludem face ao que se passa com a governação do seu país, como iludem o país face à sua capacidade de governação.
É então que, em plena primavera marcelista, uma afoita Brigada de Homicídios, chefiada por Simão Rosmaninho, se vê confrontada com um caso tão enigmático quanto hediondo: o assassinato de um contínuo da PIDE, esfaqueado múltiplas vezes no peito e no pescoço.
As únicas pistas relevantes de que a Brigada dispõe para iniciar a investigação são, para além do corpo, uma carteira cheia de dinheiro, umas chaves de casa, um porta-chaves com o símbolo da Mercedes, uma faca ensanguentada e uma edição do Diário de Notícias do mesmo dia em que o assassinato ocorrera.
Ao longo da trama, outros homicídios vão parar às mãos desta Brigada, mas os holofotes incidem especialmente sobre o crime do Poço dos Negros, sobretudo quando se descobre, após a autópsia ao corpo encontrado, que o assassino é canhoto.
Com a ajuda da sua equipa e, principalmente, do seu grande amigo e companheiro de trabalho Arengas, Simão traça um plano audaz e arriscado para encontrar o misterioso e fugidio assassino, levando os leitores a viajar pelas ruas lisboetas do final dos anos 60 e a visitar as tabernas, as tascas e as casas de jogo e prostituição.
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